Easy Star All-Stars

Depois de muitas indicações da Fê Lora eu conheci esta banda. Com um reggae super bem tocado e uma proposta diferente e muito original, o Easy Star All-Stars lançou em 2003 o Cd Dub Side of the Moon.

Não é coincidência! O nome é mesmo inspirado no clássico The Dark Side of the Moon (1973), do Pink Floyd. É aí que está o grande lance do Easy Star All-Stars, que tem como slogan Creating New Classics in Reggae (Recriando clássicos em Reggae). O Dub Side… não é inspirado apenas no nome do álbum clássico do rock. Ele é uma versão reggae do The Dark Side, de cabo a rabo.

Nos mínimos detalhes, The Dark Side foi adaptado para a música e a cultura reggae. A começar por Speak to Me/Breath, a famosa intro também está presente, mas diferente. Assim como On The Run que também conta com os sons de nave e efeitos futurísticos, agora tem uma batida eletrônica marcante é introduzida. O ínicio de Time não podia ser diferente. Os sons de relógios foram trocados por despertadores eletrônicos, galos cantando e um trompetista de exército acordando o batalhão.

Money é, talvez, a melhor adapatção feita pela banda. Os sons de moedas e caixas registradoras se foram e entraram sons tipicamente reggaesticos, eu diria (ouça para tirar a prova). O andamento da versão original contribui para a versão reggae. Assim o Easy Star All-Stars adicionou guitarras com uá-uá e teclados estilo órgão, deixando a música bem interessante.

Dub Side of the Moon, porém, tem 13 faixas, e não 9 como The Dark Side. Algumas destas extras são Great Dub in the Sky e Any Dub You Like, que explicam pelo título do que se tratam.

O Easy Star All-Stars tem outro cd no mesmo estilo de Dub Side, fazendo uma versão de Ok Computer do Radiohead, chamado Radiodread. Ótimo nome, mas isso já é assunto para um próximo post…

Se David Gilmour em pessoa disse que o trabalho é muito bom e que vale a pena conferir, não sou eu que vou discordar! O link para download está na parte de comentários.

Abraço! Edgard

Jazz + Jazz + Jazz

Um estilo de música que ando escutando com muita frequência é o Jazz. O estilo é fantastico e muito complexo. Os tempos da músicas são quebrados, baterias cheias de viradas, guitarras, trompetes e teclados disputando lugares para seus solos. O interessante é que apesar de tanto exibicionismo, o estilo não é chato ou tediante, pelo contrário, é surpreendente.
Nesse artigo irei citar os artistas de Jazz que ando escutando atualmente.

1) Miles Davis


Quem escuta Jazz, escuta esse gênio. Trompetista de mão cheia, suas composições são excelentes. Muitas criticas dizem que Miles reinventou o Jazz e deu novas caras ao estilo. O disco que ando escutando desse artista é o Kind Of Blue, que foi gravado juntamente com o saxofonista John Coltrane (outro gênio do Jazz).

2) Victor Wooten

Victor Wooten (Realmente parece que ele tem mais de 2 braços)

Victor Wooten é um baixista muito técnico. A primeira vez que escutei ele tocando fique realmente muito impressionado. O disco que eu estou ouvindo dele é ainda melhor, pois é um trio de músicos excepcionais ( Victor Wooten, Steve Smith, Scott Henderson). Apesar de estar falando sobre Jazz, esse artista em específico toca uma mistura de Jazz com Rock, denominado por alguns como Fusion. Vale muito a pena conhecer, ainda mais para quem aprecia bons instrumentistas! 😛

Outros artistas de Jazz que estou escutando (graças ao Tiago da Powerlogic…): Jaco Pastorius, Niacin e o brasileiro Arthur Maia.

Abraços para todos!

Floyd sem Waters?

Eu nunca havia escutado The Division Bell, do Pink Floyd, até dar este Cd de presente pro Preto meu amigo. Só depois é que fui conhecê-lo e saber de algumas coisas bem interessantes.

Em primeiro lugar, este é um álbum que não conta com a presença de Roger Waters, o baixista, poeta e mentor do grupo. Roger não participa de absolutamente nada, nem da composição e nem da execução das músicas. Muito pelo contrário. Waters, ao ser indagado na época de lançamento do disco, em 1994, disse que este era simplesmente horrível, e que aquilo não era o verdadeiro Pink Floyd. Todos nós sabemos que a história do relacionamento da banda é bem conturbada, o que leva a concluir que Roger na verdade estava se roendo de ciúmes (eu pelo menos acho isso!).

As composições ficaram a cargo de David Gilmour, majoritariamente, com participação efetiva de Richard Wright. Outra contribuição importante foi a de Polly Samson, jornalista e esposa de David. E foi de David que surgiu o conceito para o álbum, peça sempre presente na obra do Floyd. Desta vez o tema seria a falta de comunicação entre as pessoas, por diversos motivos. Motivos estes conhecidos na Comunicação Social como ruídos, não possibilitando um feedback ao emissor. Deixando o surto de comunicólogo de lado, David quis mostrar como pode ser o comportamento humano sem a comunicação, levando à introspecção e ao isolamento.

Pesquisando por aí, descobri que o nome Division Bell é referente à um sino que existe no parlamento inglês, e que quando as discussões ficam muito calorosas, a ponto de ninguém se ouvir, este sino é tocado para pedir silêncio. Assim os debates são retomados e o processo comunicacional reestabelecido.

Mas voltando à música, minhas favoritas são What do You Want From Me, com aquele solo de guitarra característico de Gilmour e Poles Apart, que é mais leve e tem uma viagem tecladística de Rick Wright com efeitos estilo ‘carrosel de parque’. Destaque ainda para Wearing the Inside Out, Take it Back, Coming Back to Life e High Hopes, que foi a primeira a ser composta e a última a ser gravada, lembrando a banda em seus anos de ouro. Só nessas indicações falei quase o cd inteiro. hehehe

Na imprensa do mundo, The Division Bell não foi bem visto, considerado um disco chato de se ouvir, além de ser taxado como comercial, pop e etc. Em primeiro lugar, é ÓBVIO que a ausência de Roger Waters não passaria despercebida, e em segundo, David Gilmour, definitivamente, é um músico que não precisa provar nada a ninguém. Ele pode fazer o que quiser! Se as músicas soam pops ou diferentes do Pink Floyd antigo, acredito eu, que isto se deve a fatores como os que eu citei acima e vários outros, que a banda sabe melhor do que ninguém.

Ouçam de peito aberto e tirem a conclusão por vocês mesmos! Eu adoro este CD.

Abraços! Edgard.

Pedrin sobre Cartoon

Martelo, de 1999, é o primeiro trabalho gravado da virtuosa banda mineira. Um trabalho brilhante com arranjos criativos, mesclando Progressivo setentista com pitadas de música brasileira, o que é bem perceptível em algumas músicas. As  letras irônicas e muito bem-humoradas, soam como se fossem uma espécie de versão atual do MUTANTES, na sua fase clássica. Algumas pérolas nonsenses que enriquecem a referida obra e lembram o saudoso grupo de Rita, Arnaldo & Cia.

 

Mas o que realmente impressiona no disco, é a infindável criatividade dos compositores, que apesar da gravação que deixa muito a desejar, fazem por onde honrar as legítimas bandas de Progressivo brasileiras dos anos setenta. O cd é impressionantemente envolvente e mesmo após ser ouvido por repetidas vezes não se mostra chato ou tedioso.

No tocante ao segundo disco da banda mineira, o Bigorna, referimo-nos à primeira ópera-rock brasileira de que se tem notícia. Segundo a própria banda o cd nos remete à  “real história do Rei Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda”. Só por esta declaração já fica implícita a presença de certa dose de paródia no enredo (veja nos ótimos quadrinhos que acompanham o CD e na música o episódio do “churrasqueiro”), mas o conteúdo instrumental do disco é coisa séria.  Todas as letras estão em inglês e o vocal está acima da média. Musicalmente, o disco é recheado de timbres setentistas de órgão, grooves, guitarras choradas, baterias quebradas, flautas e gaita. Fica clara a influencia do Yes de início de carreira, com a dobradinha guitarra-órgão (esse comentário é pro Cidão), nos artistas de Ouro Branco. O Folk também se faz presente neste belo trabalho, com os instrumentos acústicos. Minas Gerais continua a surpreender e o Cartoon, é um dos expoentes mineiros do rock progressivo brasileiro. Embora todas as qualidades enumeradas a cima, em minha humilde opinião, Bigorna é o pior dos três Cds da banda.

Já o terceiro álbum foi cuidadosamente preparado durante os últimos anos e findou a trilogia, cujos títulos dos álbuns fazem referência ao órgão auditivo humano, propositalmente. “Foi um processo ao mesmo tempo árduo e prazeroso, onde cada música não era considerada pronta até que todos estivessem realmente satisfeitos” – revela Khadhu exclusivamente ao blog mumuboemio – ”um processo que nos obrigou a rever arranjos, sons e músicas de forma às vezes exaustiva, nos levou a um grande amadurecimento, tanto no lado pessoal como no lado musical e tornou bem reais, pra nós, alguns conflitos que são descritos de forma alegórica no disco”. Eita minino bão sô!

O mais recente trabalho cartooniano tange as emoções e conflitos de um jovem músico, que como Beethoven, fica surdo devido a uma deficiência num sensível ossículo do aparelho auditivo humano, o Estribo. O desespero e o auto-isolamento, conseqüências da inoportuna surdez que lhe assola, o levam a refletir sobre questões axiológicas referentes à sua vida. Esse intenso processo de reflexão desencadeia uma busca do autor pela resolução de seus problemas e culmina num final grandioso e surpreendente. Se o disco for ouvido em sua seqüência é possível captar toda a mensagem e se chegar a uma conclusão. Quanto ao instrumental do disco, não há o que se comentar. Trata-se realmente de uma obra prima. Arranjos inimagináveis e surpreendentemente colocados nas musicas. Nada é esperado ou previsível. Os vocais como sempre impecáveis, guitarra e baixo mais do que complexos sem contar a presença enriquecedora de instrumentos pouco convencionais como a lira indiana (esse nome eu inventei… ahuahu). Outro “plus” se deve ao fato de participar pela primeira vez do processo de composição o guitarrista Khyko, musico acima da média.

No mais, recomendo, a todos, que ouçam com muita atenção toda a trilogia.

Abração do Pedrão (Freitas).

Cazuza, o poeta de uma Geração

Cazuza - Ideologia

Cazuza realmente foi o poeta de sua geração. Com certeza, muitas pessoas irão discordar, porém quem estiver disposto a dialogar, primeiramente escute o álbum ‘Ideologia’.

É impressionante o poder das palavras desse artista. São letras que são de fácil entendimento, porém de um impacto impressionante. Nesse álbum temos frases que marcaram muitas pessoas, e cairam no conhecimento de todos. Bons exemplos são: “Meus heróis morreram de overdose, meus inimigos estão no poder, ideologia eu quero uma para viver”, ou então, “Sras. e Srs., trago boas novas, eu vi a cara da morte e ela estava viva, eu vi a cara da morte e ela estava viva. Viva!”, ou então, “Vamos pedir piedade, senhor piedade, para essa gente careta e covarde. Vamos pedir piedade, senhor piedade, lhes dê grandeza e um pouco de coragem.”

Cazuza realmente foi um grande poeta, que soube aproveitar a viva do seu jeito, sem nenhuma vergonha de ser ele mesmo.

Esse álbum ilustra o momento que Cazuza viveu durante a descoberta da Aids ( Cazuza foi o primeiro artista brasileiro a assumir publicamente que era soro positivo), que fez com que sua inspiração aumentasse bastante e chegasse até a flor da pele. Ideologia é um excelente álbum, para quem gosta do Cazuza, ou possui alguma simpatia é uma obra imprescindível.

Abraços para todos!

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Novo da Nação Zumbi

A Nação lançou no fim do ano passado um cd inédito, não correspondendo às expectativas. Na verdade, foi além. Era fato que viria mais um ótimo trabalho, assim como todos lançados (com ou sem Chico Science), mas o público não sabia que seria tão bom assim.

O nome deste disco é Fome de Tudo e, diferente do anterior Futura (2005), as músicas valorizam mais os instrumentos básicos e usam menos os samplers e efeitos. Jorge Du Peixe se mostra cada vez mais um ótimo letrista, acompanhado dos riffs marcantes da guitarra de Lúcio Maia e a percussão, que é marca registrada da banda. A Nação Zumbi mostra mais uma vez que não cai na mesmice, sendo extremamente original e se diferenciando de tudo que existe na música brasileira.

O cd começa de cara com Bossa Nostra, que é a música de trabalho. Ela tem uma guitarra quase limpa, me dando a impressão de ter apenas um leve delay e um compressor, além de um vocal meio-cantado, meio-falado e uma letra que se encaixa muito bem no nome do albúm, fazendo uma mistura entre os sentidos. Logo depois vem Infeste, que varia entre momentos de beat puro e outros de guitarra e baixo com peso. A terceira, Carnaval, tem um andamento com o tempo super quebrado, mostrando a tal originalidade da Nação. Inferno é a quarta, mais calminha e com a participação da cantora revelação Céu. Vem ainda Nascedouro, com a presença de metais que dão um charme pra música e um refrão que dá vontade de cantar junto dando uma sambadinha. A homônima Fome de Tudo é uma que levanta a galera no show e tem um gás ducarái. Fechando o disco vem a simpática No Olimpo, que já dá uma fome de mais Nação Zumbi (que trocadilho péssimo ein?).. mas que dá, dá.

Segundo Du Peixe, este é um trabalho que não teve um conceito em que todas as músicas se focam nele, mas ainda sim a fome é presente em todas músicas, em suas diferentes formas. Diz ainda que Fome de Tudo vale ser comprado e apreciado como um todo, desde a parte gráfica (que retrata um mulher na capa com garfo e faca na mão) até as músicas em si, que quando ouvidas em MP3 perdem todas as sutilezas da produção de Mário Caldato Jr.

Há mais ou menos 2 meses fui em um show da Nação aqui em BH, no Parque Municipal. Pude ver de perto as músicas novas e algumas antigas. Foi impressionante como o show tinha uma energia que fez a galera pular do começo ao fim. Sendo extremamente dançante e empolgante, o som e execução das músicas eram de alta qualidade, e não deixavam a desejar em relação ao gravado em estúdio. Com certeza um dos melhors shows que ja fui.

É isso ai… falô !

Edgard.

Chico & Bethânia

Este é um disco que destoa de todos os outros que já foram postados neste blog. Mas como o tema aqui é a boa música, acho que este merece (e muito!) aparecer aqui, com nossos singelos pitacos musicais. HEHE

Gravado em 1975 no Canecão (RJ), Chico e Bethânia interpretam 18 canções, em sua maioria compostas por Chico. Algumas delas (as minhas favoritas) são logo umas das primeiras do LP, como Sem Fantasia, Sem Açúcar e Com Açúcar e Com Afeto. O curioso é que todas estas citadas foram compostas por Chico, a partir do ponto de vista de uma mulher. É impressionante como elas NÃO parecem ter sido compostas por um homem, tamanha a emoção e riqueza de detalhes que descrevem os sentimentos das personagens. Porém, se tratando de Chico Buarque, isso não deveria causar espanto algum.

Estão ainda no álbum músicas de Lupicínio Rodrigues (Foi Assim), Raul Seixas e Paulo Coelho (Gitá) e também Paulinho da Viola (Sinal Fechado). Esta última, por sua vez, foi gravada de uma forma inédita até então. Ao invés de ser cantado, o diálogo entre o ex-casal da música foi feito em forma de uma conversa entre os cantores.

Assim, Bethânia e Chico se revezam ao longo do show, cantando algumas músicas sozinhos e outras em parceria. Destaque também para a mega banda, com direito a orquestra. E fuxicando na internet, descobri esta e esta matéria, veículadas em jornais da época a respeito do show.

Eu considero este um dos melhores discos de música brasileira que existem, o que não poderia ser diferente se tratando da nossa maior intérprete e nosso melhor compositor. (Hahaha… não tem jabá nessa história não!)

Link para download na página de comentários!

Abraço! Edgard.